terça-feira, 29 de julho de 2008

Matanza Ressaca Sem Fim no Opinião

Conheço o Pisca a muito tempo. Da época que a galera tocava em qualquer coreto de praça. O lance era mostrar o trhash-metal que se fazia por aqui. Nossas bandas, vez que outra, se cruzavam em empreitadas malditas e muquifos ordinários. De baixista a produtor o cara correu um longo caminho ( digo correu e não caminhou, porque pra chegar a algum lugar é necessário correr sem parar pra descansar). Como produtor o Pisca continua na pilha de fazer, de agitar do reggae ao metal extremo o cara ta na fita.

Ta e o Matanza? O show do Matanza, num domingão de muita chuva, foi mais uma produção do Pisca e sua Produtora. E foi um baita gol. Falando em gol, que mania estúpida que o público gaúcho tem de ir a show cantar hino de torcida de futebol. Só isso pra mim já é bizarro, mas os caras, em uma total falta de respeito com os artistas, entoam seus hinos enquanto os músicos tocam no palco.

Bom voltando a parte bacana do show. A música. O Matanza é uma excelente banda, tanto na originalidade das letras e da mistura inusitada de som pesado e country, quanto na presença de palco e sintonia com o público. Algo que me agrada muito é o fato da banda ao vivo carregar no peso, a parada beira o death-metal. Só isso, ou tudo isso, já vale uma conferida no show dos caras.

Resumindo. Apesar da chuva incessante do domingo casa lotada e belo show. E o Matanza abriu assim a sua apresentação em Porto Alegre.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Gotham Beggars Syndicate



Pois enfim chegou o disco de estréia da Damn Laser Vampires. Lançado por uma gravadora gringa( Devil's Ruin Records ) o disco Gotham Beggars Syndicate traz novas e velhas canções remasterizadas. O meu lance não é fazer resenha crítica de porra nenhuma, então ouçam o disco. O que vale dizer é que os vampiros no momento são o grande sopro de novidade que a nossa cidadezinha precisava. Mesmo levando-se em consideração que a banda se apresenta com muito mais freqüência fora da cidade . Culpa do velho público, do velho habito da mídia local e dos donos de bares. Realmente é difícil o novo conviver com o velho. Principalmente se o velho estiver rançoso e fadado ao fracasso.
Tinha esquecido de comentar os vampires são muito gente. Estão ligados em outras bandas da cidade ( ao contrário de muitos músicos metidos a star que não participam de nada além da sua panelinha) vão e participam dos shows (sabe, em Porto Alegre todo mundo quer ser artista mas ninguém quer ser público).
Aproveitando o lançamento segue aí uma entrevista com os Damn Laser Vampires publicada aqui no aqui no Corja já vai algum tempo também o serviço dos caras de como catar o cd.
Pra completar durante o 4 Fantaspoa os caras também estarão participando se liga ai.
Segue Material de Divulgação Fornecido Pela Banda
"É isso aí, queridos humanos: depois de uma árdua, sangrenta e surreal batalha, conseguimos finalmente resgatar nossos discos das mãos macabras da (som de trovão...) Receita Federal... pondo fim a uma espera de quase três meses, desde a postagem do pacote nos EUA e sua viagem por SP e Rio até sua chegada a Porto Alegre ontem.
Tentamos inutilmente, durante todo esse tempo, todas as formas de comunicação com os responsáveis pela apreensão dos discos, e só conseguimos graças à Kátia, prima da Francis, que mora no RJ e conseguiu falar diretamente com os sujeitos, convencendo-os de que não éramos monstros e nem queríamos tacar fogo nas casas deles. Toda a nossa gratidão à Kátia. Sem essa intervenção, o prazo para a retirada -- que já estava no fim -- acabaria sem que nada pudéssemos fazer, e perderíamos tudo.
Agora que tudo acabou bem, aí vai o serviço.
:: APENAS PARA A LISTA DE RESERVAS (AS PESSOAS QUE ENCOMENDARAM O DISCO POR E-MAIL):Teremos exemplares à venda nos shows, COMEÇANDO PELO SHOW DESTE DOMINGO, 13/07, NO GIG ROCK (PORÃO DO BECO, A PARTIR DAS 19h).
:: PRA QUEM AINDA NÃO RESERVOU O SEU EXEMPLAR:Uma quantidade MUITO PEQUENA estará à venda a partir desta sexta, 11/07, no estúdio MUSIC BOX (Benjamin Constant, 1544 - Porto Alegre). Dá pra correr e reservar por telefone: (51) 3325-1154.QUANTO: R$ 15 (preço promocional, apenas para esse primeiro lote).O preço no site do selo (www.devilsruin.com) é de dez dólares.Em breve, à venda pela Monstro Discos e Rastrillo Records (não temos informações de preço)."

DLV NO FANTASPOA


De 28 de julho a 10 de agosto, vai rolar a 4ª edição do FANTASPOA (Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre), e a Damn Laser Vampires é convidada especial.

A banda participa de uma sessão comentada do documentário ” Voodoo Rhythm – The Gospel of Primitive Rock‘n’Roll” dia 09 de agosto às 21h, juntamente com André Kleinert , falando sobre a conexão entre o rock independente e o cinema de horror, bem como as influências que um exerce sobre o outro. Na sala Norberto Lubisco (CCMQ).

Paralelo ao Festival, a exposição “Malditos Desenhos Laser” exibe mais de uma centena de ilustrações dos Damn Laser Vampires no saguão principal da Casa de Cultura Mário Quintana.

E dia 10/08 no encerramento do Festival, a banda toca no Porão do Beco.

Programação completa do FANTASPOA: http://www.fantaspoa.com/

Bacadabro - A Entrevista

Os vampiros estão cheios de novidades. Está pintando o tão aguardado disco de estréia da banda. Tem vídeoclipe novo circulando pela internet. Os shows se multiplicam pelo país. Pra quem acreditava que vampiros só trabalhavam à noite e dormiam durante o dia, a Damn Laser Vampires mostra que a coisa é bem diferente. Os Vampires dão o sangue, pela banda é claro.
Corja: O cd saindo direto na gringa? Como rolou essa negociação?Damn Laser Vampires: O selo (Devil’s Ruin Records, do Indiana) nos encontrou no MySpace e nos adicionou como amigos. Conversamos e eles mostraram grande interesse em conhecer mais da nossa música; mostramos mais, e em seguida recebemos o convite pra lançar o álbum nos EUA e Canadá. Não foi uma resolução imediata da nossa parte, houve muita conversa. Levamos bastante tempo pra nos decidir pela Devil’s Ruin, porque ainda estávamos aguardando resposta de selos brasileiros. A DRR foi muito receptiva desde o começo, inclusive modificando cláusulas do contrato a nosso pedido. Achamos que deu certo porque, como reza a tradição vampírica, não adianta bater nas portas, vampiros precisam ser convidados (risos).
Cor já: A DLV é banda do mundo e não de Porto Alegre, apenas, por causa da web ou o quê?DLV: É inegável que sem a internet não teríamos feito nem a metade. Não teria havido MySpace, não teríamos tido atenção do selo, não teríamos feito os contatos preciosos que temos com pessoas de diversas partes do mundo (pelo menos não com a mesma velocidade), ou seja, não teríamos o controle que temos sobre nós mesmos e portanto provavelmente não teríamos ido adiante. Mas a internet é um parceiro, não uma razão de existir. Fazendo justiça a nós, a gente trabalha pra c****. Há outros elementos a nosso favor – o idioma que escolhemos, a mistura de sons que usamos, e que justamente nos deu uma exclusividade que ajudou a chamar atenção... mas o principal é que nós não paramos de trabalhar. Nunca. Quando você faz tudo sozinho, o esforço é maior, mas aumentam as chances de conseguir os resultados que você quer.
C: A banda tem participado de shows em outras cidades brasileiras, às vezes, com mais assiduidade que em Porto Alegre. A cidade tá meio devagar, em alguns aspectos relativos à musica? Público, donos de bar, bandas sei lá , parece que alguma coisa não fecha muito bem.DLV: Sim, a gente percebeu uma mudança muito nítida nesses últimos meses em Porto Alegre. Pra pior. Bares fecharam, grande parte do público de rock passou a preferir as festas de eletro (que se multiplicaram muito)... e continua sendo muito difícil pras bandas que não têm equipamento próprio produzirem os shows sozinhas. Na maioria das vezes, a casa só disponibiliza o espaço físico e as bandas têm que correr atrás de equipamento, transporte, divulgação... no fim das contas, a parte da bilheteria que sobra pras bandas às vezes é tão pequena que não cobre nem os gastos. Por isso temos tocado mais fora da capital.Num lugar como São Paulo, por exemplo, nós encontramos um cenário radicalmente diferente: a infra-estrutura das casas em que tocamos é ótima, não falta equipamento, e os lugares enchem. E os cachês são bons. Você pode tratar previamente e acertar um pagamento decente, que cobre os investimentos da viagem.Gostaríamos de tocar bem mais em Porto Alegre – é o melhor público de todos, isso não temos dúvida; é onde se faz as melhores rodas punks, são os shows em que mais nos divertimos.Nós achamos que, em parte, a situação do rock em Porto Alegre poderia ser melhor resolvida se os donos dos bares compreendessem melhor as necessidades das bandas e fossem mais parceiros. É claro que é uma questão que passa por outros fatores; seria preciso mexer em toda uma mentalidade “coletiva”, o que inclui os hábitos culturais da população também. Muitas bandas mesmo (às vezes veteranas, com mais de uma década de estrada) não se importam em conviver com essa precariedade e acham muito normal tocar de graça, por exemplo. “Só pela diversão”. Não parece ser o tipo de ajuda que a cena independente está precisando pra se valorizar.
Corja: Belo clip, como foi a produção do video? Roteiro, direção, tratamento de imagem ficou por conta de quem?DLV: “Bracadabro” foi feito no mesmo esquema dos dois anteriores produzidos por nós (“Saint Of Killers” e “Next Time You Ride”). Dirigimos as cenas, montamos o figurino, a Francis fez a maquiagem, e o roteiro foi uma espécie de história espontânea que foi surgindo com o andamento das gravações. Nós dois (Francis e Ronaldo) cuidamos da edição e pós-produção, no nosso estúdio de milhões de dólares (risos). As tomadas ao ar livre foram gravadas no jardim do Museu de Porto Alegre. Nós adoramos fazer vídeos, é sempre muito divertido e temos muitas idéias. E o esquema é não gastar nada, usar elementos que nós mesmos fazemos ou já temos (às vezes tirando do caixão da vovó). Perto de um orçamento de clipe da DLV, filme trash é Hollywood!
Corjeano:Tomar conta da carreira é legal mas pode levar facilmente pra qualquer um dos lados, para o sucesso e o prazer da autonomia, ou para o desespero e o ostracismo do "o que é que eu faço agora?". A DLV dá mais prazer ou mais trabalho? (eu imagino a resposta, mas a pergunta é só pra instigar mesmo)Vampiragem: Hahaha! Dá muito trabalho, sem dúvida. Mas fazemos porque gostamos! A banda é formada por três ilustradores, amantes de cinema, quadrinhos e música. É normal que a gente queira dar continuidade a tudo isso, porque são coisas que nos dão muito prazer. Mas nada disso vem sem muito trabalho. Além da criação, nós também cuidamos de todo o resto – contatos, agenda, divulgação, promoção, e tudo isso principalmente pra estar lá no palco. Não tem espaço pra “desespero e ostracismo”. Claro que só fazemos o que está nas nossas possibilidades, mas procuramos fazer bem. Respondendo a pergunta, a DLV dá trabalho pra poder dar prazer.




Na edição de janeiro deste ano da Noite da Corja a DLV fez um belissímo show sob a projeção do Filme Nosteratu, confira as fotos aqui no site.